PUBLICADO EM: " SE A JUSTIÇA FALASSE"

Foi ainda nessa época, que acompanhei o meu patrono num julgamento, que foi mediático.
A cliente do meu patrono tinha sido vítima de seis tiros, seis disparos consecutivos, e por incrível que pareça, não morrera.
O indivíduo que perpetuou o acto criminoso, era agente da polícia, que simplesmente agarrou na pistola e disparou sobre a vítima até ter ficado sem munições.
Conto-vos isto a propósito deste caso de Carlos Castro. Não sei porquê, veio-me á memória o "caso do polícia"...
Enquanto ouvia as sucessivas declarações na audiência de julgamento, que condenou o Réu, (na altura era assim denominado), a uma pena pesada, recordo-me que desde o ínicio fiquei com a decisão bem definida na minha mente.
O enredo desenrolava-se todo entre duas vizinhas.
A de cima, que foi mais tarde a vítima dos disparos, e a de baixo, irmã do polícia que foi acusado e condenado por tentativa de homicídio.
Na verdade, as mulheres detestavam-se uma á outra, e depois de discutirem a toda a hora, passavam as suas versões aqueles que lhes estavam mais próximos.
Desse modo, acabaram por serem ouvidos em tribunal, o marido da de cima, a filha da de baixo (com apenas 14 anos), o irmão como arguido e claro as duas tambem.
O ódio e o mau estar era crescente, até que um dia, quando o polícia vinha de moto do trabalho, para jantar na casa da irmã, após esta ter tido mais uma violenta discussão com a de cima, encheio-o de lamúrias, queixas e lamentações, como já acontecera inúmeras vezes no passado, só que desta vez....deu-se o inesperado.
Foi o Destino!
Após a lengalenga do costume, o irmão agarrou na arma, procurou a vizinha e simplesmente disparou, disparou até se acabarem as balas e os tiros, ao todo seis...porque não podia disparar mais.
Durante a audiência, e após as declarações do Réu (arguido) , da irmã e da sobrinha, e ainda da vítima e do marido desta, tirei as minhas conclusões.
Não era o polícia que devia responder, mas sim aqueles que o levaram a isso, aquelas duas mulheres que transbordando de ódio, acabaram por levar o arguido aquele acto de loucura, contrário á sua natureza e personalidade.
Mas a vida nem sempre é justa, e o Destino tece acontecimentos por vezes inexplicáveis e irracionais.
Como já ouvi dizer, o que é preciso é ter sorte!
Helena de Brito
1 comentário:
Gostei muito deste relato. Gostei mesmo.
Muito interessante.
Helder Fráguas
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