Decorreu a 11 de Setembro de 2010 a votação para a eleição das «7 Maravilhas Naturais de Portugal».
“Mais do que uma votação dos portugueses e de quem realmente as conhece, este evento revelou-se um investimento por parte de alguns municípios e cidadãos em promover a sua região. O Portinho da Arrábida foi um dos candidatos nesta eleição.”
"Câmaras municipais (como a do Porto Santo) através dos seus munícipes votaram na sua região, e mais do que isso utilizaram os seus recursos humanos e materiais para aumentarem o número de votos.”
“O Portinho da Arrábida foi não venceu este concurso, tendo no entanto ficado numa das sete primeira Maravilhas Naturai de Portugal".
“Durante o concurso, os apoiantes da Serra da Arrábida disseram que eram mais e recursos superiores. "Não podemos ser vencidos! Vamos ajudar a salvar o Portinho da Arrábida."
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segunda-feira, 21 de março de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Filha da Serra Mãe
Encostou-se ao carro e viu as cores. Os azuis, os verdes, os quase pretos de tão negros serem. Vislumbrou a orla costeira, e a espuma do mar lá em baixo, ladeado por um lado da serra e por outro do céu.
Meu Deus pensou, como é linda esta serra este meu Mundo, Deus sabe o que fez quando mo deu.
A Serra, não se possui, nem no registo nem com uma escritura, possui-se no íntimo, no coração.
Recordou com nostalgia como lha ofereceram no seu dia de anos. Já não se lembrava se tinha sido com 7 ou 8 ou 9 anos, lembrava-se simplesmente da angústia. Tinha decorrido o dia do seu aniversário, recebera prenda de anos de todos, todos menos dos seus pais.
Eles eram difíceis mas também eram os que tinham dinheiro, e com dinheiro vinha sempre o mais caro, e quase sempre o melhor.
Mas naquele dia não.
Ninguém lhe disse nada, até que, quando a noite chegou perante todos, o pai disse que a prenda era inimaginável, mas só amanhã.
Foi a decepção, quando após a viagem no bote do Gabado chegou á praia e o pai disse: Vês? é esta a tua prenda, e apontou com o braço, uma casa velha de madeira, na praia implantada junto á serra.
Então era essa a sua prenda? Uma casa velha que era dela?
Não sabia ela, que a partir daí, tornou-se proprietária daquela serra, sem escritura, sem registo, sem documento ou papel, possui-a desde então no seu íntimo, impregnando-se para sempre na sua pele como uma tatuagem que nunca mais sai.
No dia em que Amstrong pisou a Lua, não o viu na televisão. O pai, de binóculos apontados á Lua, com os cotovelos apoiados no portão da casa de madeira de praia junto á serra dizia: a esta hora eles estão a andar na Lua...
Ela, o pai, a mãe e os chineses, teriam sido os únicos no mundo que não viram Amstrong pisar a Lua, ironicamente, mais tarde acabou por vê-lo, vezes sem conta, através das imagens que se repetiam sucessivamente na televisão, video, internet e sei lá mais o quê...
Serra da Arrábida, que tens tu que as outras não têm, que fazes poetas como Sebastião da Gama te quererem tanto.
Encostada ao carro, deleitou-se com a imagem que Deus lhe proporcionou quando escreveu aquela serra.
Será pelo seu misticísmo deixado pelos Franciscanos? Pelo clima, que dizem ser tão diferente? Pela vegetação única no mundo? Pelas cores do mar?
A psicoterapeuta dizia-lhe que tinha a ver com a sua relação com a mãe. Não era por acaso, acrescentava, que lhe chamavam Serra Mãe, que as suas formas arredondadas eram como tetas. Que a Serra a adoptara como filha e ela como sua mãe adoptiva...
Não sabia, encostada ao carro deslumbrada com o que a natureza lhe dava de graça, recordava quando miúda, e apesar da troça dos outros, se sentava sobre a rocha diante da sua casa, e ficava a olhar para o mar, para o por do sol que se punha lá atrás da serra, e ali ficava parada, serena e em repouso.
Encostada ao carro, continuava sem entender que tinha aquela serra para provocar o efeito que tinha sobre si.
Provavelmente nunca a iria possuir no papel, provavelmente nunca a iria habitar, mas podia sempre vê-la e estar com ela, afinal quando se ama não é preciso possuir, basta estar.
"Á Serra da Arrábida com carinho"
Primeiro texto de 2011
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